Quem são os RHs do futuro?

 

Com o crescimento da geração Y no mercado de trabalho, muitas pessoas se perguntam

como será a liderança e o posicionamento desses jovens no mundo corporativo daqui há

10, 20 e 30 anos e, na área de RH, não é diferente. A visão estratégica e colaborativa é

talvez uma das mais valorizadas por esses novos profissionais. Eles pretendem fomentar a

flexibilidade de horário e o conceito de felicidade no trabalho, alinhando suas práticas ao

alcance de metas e a programas de crescimento e desenvolvimento de carreira, tudo para

gerar departamentos de RH mais sustentáveis e colaboradores mais engajados e felizes.

Alexandre Pellaes, líder de Operações do 99jobs.com, explica que os jovens RHs trarão

mudanças na forma como as organizações irão se relacionar como mercado,

especificamente como marca empregadora. “Não vale mais o discurso institucional

decorado e impresso em panfletos. Os jovens RHs sabem que os jovens no mercado de

trabalho baseiam-se na experiência real e não no discurso”. Para ele, modelos

compartilhados de gestão, foco em feedback como ferramenta de desenvolvimento e

interação entre as pessoas são algumas das práticas mais valorizadas e presentes no

radar dos jovens gestores.

Para aqueles que pretendem ou já atuam em RH, a área é considerada uma excelente

porta de entrada de jovens nas organizações e atualmente apresenta oportunidades com

muita exposição e responsabilidade. Segundo Pellaes. “É uma das primeiras áreas em que

a visão de hierarquia tende a perder relevância, já que as relações e o nível de

responsabilidade são bastante compartilhados”.

Prova disso é o depoimento de Lucélia Fabiana da Silva Siqueira, gerente Administrativa

da Oral Premium. A profissional, que atua na área de RH há um ano e três meses afirma

que os RHs do futuro serão mais participativos e proativos, agregando valores aos seus

colaboradores. “Quero ser uma profissional focada tanto nos interesses da empresa

quanto nos interesses dos colaboradores, visando equilibrar esses dois lados e

estimulando o trabalho em equipe”.

Já Simone Chioman de Almeida, que atua na área há três anos e atualmente é

supervisora de recursos humanos em uma empresa de fertilizantes, define sua gestão

como meritocrática e imparcial. O método já é aplicado em sua gestão e para mensurá-lo

Simone utiliza avaliações de competências e de performance, pesquisa de clima e

desenvolvimento da equipe. Para ela, “a inclusão novos ares e experiências de vida vistas

por outros ângulos, só têm a acrescentar para uma profissão tão generalista como a área

de RH”.

Um maior envolvimento dos profissionais da área com o lado comportamental de seus

colaboradores também está na pauta dos RHs do futuro. “Vimos que a era do especialista

chegou ao fim, precisamos de pessoas que vão além de suas habilidades técnicas, além

de seus diplomas e cursos específicos. Precisamos de pessoas proativas, versáteis,

criativas, inovadoras, que tenham espírito de equipe, de liderança, que tenham

verdadeiramente os valores da empresa”, explica Susana Araújo Rodrigues, assistente de

RH na Dominus Auditoria, Consultoria, Contabilidade e RH.

O novo e o velho RH

Para potencializar a união e compartilhamento entre o RH tradicional e o novo, alguns

pontos de atenção podem ser observados, segundo Alexandre Pellae, do do 99jobs.com:

• O ambiente e as práticas de relacionamento devem permitir que novo e tradicional

possam trocar ideias, sem julgamentos, mas com transparência. Isto não ocorre

naturalmente. Deve ser incentivado e suportado com ferramentas próprias.

• O que é esperado (e oferecido) dos jovens deve ficar muito claro. O “combinado” tem

que ser explícito. Obrigações, deveres, prazos e benefícios.

• Embora os jovens cheguem com muita ânsia e muitas ideias, normalmente, eles não têm

experiência em como implementar suas sugestões. Abafar o sonho, os desafios, o pensar

fora da caixa, seria um erro. No entanto, também não se pode alimentar a ilusão de que

todas as ideias legais e diferentes serão implementadas. As organizações são compostas

por uma estrutura que baseou-se, por anos, em estabilidade e continuidade

(planejamento) e agora enfrentam um mundo que funciona com base em ruptura e

vivência (improviso e criatividade). É um momento de transição.

• O óbvio pode e deve ser reforçado. Não há comunicação em excesso. Incentivar a troca

de informações e, principalmente, de percepções pode trazer muitos benefícios na

construção de vínculos de confiança.

• Ajudar os jovens a lidar com a frustração (de suas próprias expectativas) e a enxergar

pontos positivos em decisões baseadas em premissas antigas também pode contribuir

muito para aliviar o conflito de gerações.

 

Fonte:   revistamelhor.com.br  – Texto: Renata Silva

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