QI na carreira: não encare como um bicho-papão

João Marcelo Furlan 

Um ranking divulgado recentemente pela consultoria Robert Half, indicou os países em que o

famoso QI (quem indica) mais funciona na carreira. O Brasil ficou em segundo lugar, atrás

somente da Austrália.

Considerando 20% das vagas gerenciais no Brasil, até 77% são preenchidas por indicação. Já

em 20% das vagas administrativas, até 72% são ocupadas por indicações. Na Austrália, esses

indicadores são de 81% e 76%, respectivamente.

Muitos brasileiros ainda desaprovam a ideia de indicação no trabalho, entretanto, o paradigma

de que essa é uma prática injusta precisa ser quebrado. É necessário entender que a indicação

vem das raízes do Brasil, da nossa formação cultural. Somos um povo de puro relacionamento,

o que acaba impactando no âmbito profissional.

O QI é um mecanismo importante, principalmente no atual momento em que as empresas

buscam reduzir custos gerais. O processo seletivo terceirizado, isto é, aquele gerenciado por

agências de emprego e consultorias custa caro e leva um tempo maior para ser concluído.

Diante disso, o QI ganha força, pois pode diminuir o custo e ainda agilizar o processo,

principalmente para vagas urgentes.

A grande questão a ser desmistificada é que a indicação não é certeza de contratação, ou seja,

não é algo que irá desqualificar os demais candidatos. As empresas normalmente fazem um

filtro para garantir que a pessoa que está participando do processo tenha as competências

necessárias para a vaga. Ela deve fazer testes e avaliações normalmente e, se o desempenho

for o esperado, o QI poderá ter peso na escolha.

Para se ter uma ideia de quanto o QI é bem visto pelas empresas, atualmente existem

organizações na área da alta tecnologia que oferecem até R$5 mil para o funcionário que

indicar uma pessoa para um cargo gerencial. Se for uma vaga de analista, o valor médio é de

R$500,00.

Para não perder oportunidades o ideal é fortalecer o network, pois, tendo uma boa rede de

contatos, as chances de uma indicação aumentam. Além disso, é necessário deixar sempre

claro a vontade ou atração por determinadas vagas ou até mesmo pedir uma indicação. Talvez,

os colegas nem imaginem que você está em busca de uma oportunidade profissional.

O QI é uma tendência no Brasil e não é à toa que o país alcançou o segundo lugar no ranking

global. Em vez de virar as costas para o cenário, é hora de ampliar a visão e entender que a

indicação não é um bicho-papão, mas sim uma porta de entrada com várias possibilidades.

João Marcelo Furlan é fundador e CEO da Enora Leaders, empresa de educação corporativa especializada em aceleração de

resultados e diretor de regionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP).

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